Rua Coronel Pedro Benedet, 333 · Sala 1101 · Centro, Criciúma/SC Seg–qui 8h–12h / 13h–20h · Sex até 17h · Sáb 8h–12h · (48) 3433-7333 · Instagram
Clínica InfantilCriciúma · desde 2006

InícioArtigos do Dr. Marcelo

Férias de julho: uma oportunidade para cuidar da saúde das crianças

15/07/2026 · Dr. Marcelo Leandro Gurgacz, pediatra e intensivista pediátrico — CRM/SC 9786

Julho chegou e o recesso escolar costuma ser visto apenas como um desafio logístico: crianças em casa, rotina desorganizada e a pergunta inevitável sobre como ocupá-las. Do ponto de vista da Pediatria, porém, as férias podem ser algo muito mais valioso — um intervalo em que pais e cuidadores têm a chance de observar de perto os hábitos dos filhos, corrigir excessos acumulados durante o semestre e construir memórias que fazem bem à saúde física e emocional. Com algum planejamento, duas ou três semanas de descanso podem render benefícios que duram o ano inteiro.

Movimento em primeiro lugar, mesmo no inverno

A tendência natural das férias de julho, especialmente na nossa realidade do Brasil, é o recolhimento: frio lá fora, sofá e telas aqui dentro. Sem contar a Copa do Mundo. A atividade física diária, de preferência ao ar livre, fortalece a musculatura e os ossos, melhora o sono, regula o apetite e pode dar uma melhorada no humor. Ainda, favorece a exposição à luz natural, importante para a síntese de vitamina D e para o ritmo do sono. Não é preciso estrutura: bicicleta, bola na praça, caminhada leve em família, pular corda no quintal — o alvo é ao menos uma hora de movimento por dia, brincando, sem cobrança de desempenho. Agasalhar bem, oferecer água com frequência e usar protetor solar ao ar livre, mesmo em dias nublados, completam o cuidado.

Telas: o maior adversário das férias

Sem o contrapeso da escola, o tempo de tela tende a explodir no recesso. E o excesso está associado a prejuízos bem documentados: piora da qualidade do sono, sedentarismo e ganho de peso, irritabilidade, sintomas de ansiedade, queixas visuais e, nos menores, atraso no desenvolvimento da linguagem. As orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria são um bom norte para as famílias: evitar telas antes dos 2 anos (exceto videochamadas com familiares); no máximo 1 hora por dia entre 2 e 5 anos; 1 a 2 horas entre 6 e 10 anos; e 2 a 3 horas para adolescentes. E, sempre com supervisão do conteúdo, sem telas durante as refeições e, muito importante, sem dispositivos no quarto na hora de dormir. O segredo não é proibir, e sim substituir: a criança que tem uma alternativa concreta e atraente: um passeio combinado, um jogo de tabuleiro, uma receita para preparar junto.

Rotina flexível não é ausência de rotina

Dormir um pouco mais tarde e acordar sem despertador faz parte do tradicional charme das férias. O que compromete a saúde é a inversão completa do ciclo: madrugadas acordadas diante de telas e manhãs inteiras dormindo. O sono insuficiente ou desalinhado pode afetar imunidade, humor e apetite. E pode posteriormente tornar a volta às aulas muito mais sofrida. Uma boa regra prática: deixar os horários deslizarem no máximo uma a duas horas em relação ao período letivo, preservando o total de horas de sono de cada idade. Mantenha âncoras fixas: refeições regulares e desligamento das telas pelo menos uma hora antes de dormir.

Alimentação: liberdade com critério

Férias combinam com pipoca no cinema e lanche fora de casa. A alimentação não precisa (nem deve) virar campo de batalha. Mas há risco na mudança silenciosa do padrão: ultraprocessados ao longo do dia inteiro, refrigerante no lugar da água, refeições desestruturadas diante da televisão. A orientação é simples: refeições principais em família e em horários regulares, frutas e verduras todos os dias. A água sempre à vista. Guloseimas em ocasiões pontuais em vez de disponíveis em casa. Aliás, cozinhar com os filhos é uma das atividades mais completas das férias: ocupa, ensina, aproxima e melhora a relação da criança com a comida. É também oportunidade para se oferecerem novos alimentos.

Inverno pede atenção respiratória e vacinação em dia

Julho está no coração da temporada de vírus respiratórios. Aglomerações em ambientes fechados e mal ventilados, como shoppings, cinemas e festas, acabam por favorecer a circulação de influenza, covid, vírus sincicial respiratório e outros agentes. As regras de sempre continuam valendo: ventilar os ambientes, higienizar as mãos, ensinar a etiqueta da tosse e manter em casa a pessoa com febre ou sintomas gripais. As férias também são o momento perfeito para uma tarefa frequentemente adiada: a oportunidade de revisar a caderneta de vacinação e atualizar as doses em atraso, incluindo a vacina contra a gripe, antes do retorno ao convívio escolar. Também pode ser hora de colocar em dia a Puericultura com o Pediatra: avaliação global médica do crescimento, saúde e desenvolvimento da criança. Aquelas com doenças crônicas, como asma, devem manter rigorosamente as medicações de uso contínuo - nas viagens, elas vão na bagagem de mão, junto com o plano de ação para crises.

Prevenção de acidentes: supervisão vale mais que sorte

Todo período de férias traz aumento nos atendimentos de emergência por acidentes: quedas de bicicleta, skate e patins, queimaduras na cozinha, intoxicações por medicamentos e produtos de limpeza ao alcance dos pequenos, e afogamentos que seguem entre as principais causas de morte evitável de crianças e adolescentes no Brasil. A lógica da prevenção precisa ser relembrada justamente quando a rotina muda: capacete em qualquer atividade sobre rodas; cadeirinha e cinto em todos os trajetos de carro; supervisão adulta constante e próxima na água — inclusive em julho, quando parques aquáticos cobertos e piscinas térmicas entram no roteiro. Em casas que não são a da família, se deve prestar muita atenção a escadas, janelas sem rede e produtos químicos acessíveis (água sanitária, venenos, soda cáustica, silicone líquido, entre outros). Acidentes acontecem em segundos, e a supervisão ativa de um adulto segue sendo a proteção mais eficaz que existe.

O que as férias têm de melhor: tempo junto

Por fim, vale lembrar aquilo que nenhuma recomendação técnica substitui: o principal fator de proteção da saúde emocional de uma criança é a qualidade do vínculo com quem cuida dela. Férias são a oportunidade rara de tempo sem pressa: conversar, jogar, ler junto, deixar a criança se entediar e inventar brincadeira. Nada disso exige dinheiro ou roteiro sofisticado. A criança que volta às aulas descansada, ativa, bem alimentada, vacinada e, sobretudo, mais conectada à própria família volta mais saudável em todos os sentidos. Esse é o verdadeiro presente que julho pode oferecer.

Em caso de dúvidas sobre as necessidades específicas do seu filho, o pediatra que o acompanha é sempre a melhor fonte de orientação.

Dr. Marcelo Leandro Gurgacz
Médico Pediatra
Intensivista Pediátrico
CRM/SC 9786 RQE 5557/5964

← Todos os artigos

Agende sua consulta

Ligue para a nossa secretaria e escolha o melhor horário.